sigo esperando...




hice lo que me dijeron.
envié el correo a 10 personas en menos de 5 minutos.
estuve en ayunas por tres meses.
saludé a mis vecinos de piso.
cedí el puesto en el bus.


sigo esperando el milagro...




así que, por favor:
la próxima vez en lugar de cadenas, promesas de buena suerte, "mejores deseos", demostraciones de amistad sincera y cosas por el estilo mándenme dinero, algo de cerveza, entradas para el cine, boletos de avión, etc.




um genocídio ainda impune

Para o governo local, o ano de 1968 era o momento de mostrar ao mundo que o México não se resumia a um país subdesenvolvido. Tendo passado por uma intensa guerra civil, agora, em pleno progresso econômico, estava pronto para revelar seu potencial. Sua capital, a Cidade do México, era a sede dos Jogos Olímpicos daquele ano. O reconhecimento internacional da grandeza do país não tardaria.
Mas nem tudo saiu como sonhavam as autoridades. “Aos 40 anos de estabilidade política e de progresso econômico, uma mancha de sangue dissipava o otimismo oficial e provocava em todos os espíritos uma dúvida sobre o sentido desse progresso”, analisa o ensaísta Octavio Paz em sua obra O Labirinto da Solidão e Post-scriptum. Paz se refere ao Massacre de Tlatelolco, ocorrido em outubro de 1968, a dez dias do inicio das Olimpíadas, e que deixou, até hoje, um número incerto de mortos, calculado entre 300 e 500. Ficou a certeza da impunidade dos culpados, que ordenaram que se abrisse fogo contra uma multidão desarmada.

68 dias

Em dois atos diferentes, cerca de cinco mil secundaristas caminhavam até a praça da Constituição reivindicando melhores condições para a educação. Em meio ao trajeto, outros universitários, que manifestavam apoio à Revolução Cubana, se juntaram aos estudantes. Era 26 de julho de 1968 e, segundo o intelectual mexicano Sergio Zermeño, deu-se ali o primeiro grande confronto do Estado e suas forças policiais com os manifestantes. “O choque, violento, levou os estudantes que participavam da manifestação a serem caçados e espancados” conta Zermeño, apontando que na ocasião 76 pessoas foram presas. No entanto, para os organizadores, os números foram maiores: 200 prisões, 500 feridos e também se falou em oito mortos. Mesmo sendo um fato aterrador por si, aquele era o prelúdio de um movimento cada vez maior de repressão às manifestações que ocorreriam no país, acompanhando o que já se desnrolava em outras partes do mundo. Quatro dias depois, o Exército é posto nas ruas com o intuito de restabelecer a ordem. Na madrugada de 30 de julho, um jipe com um canhão dispara contra o portão da Universidade Autônoma do México (Unam). Tradicionalmente, as grandes universidades no mundo repudiam qualquer interferência em sua autonomia e toleram ainda menos manifestações belicistas em seus campi. Seguindo esta tradição, o reitor da Unam, Javier Barros Sierra, decreta luto universitário e discursa. “Não é apenas o destino da universidade que está em jogo, mas as causas libertárias do México”, pronunciou incisivamente o reitor no dia 1º de agosto, frente a uma manifestação com cem mil pessoas. No dia 4, os manifestantes apresentavam as reivindicações à população e ao governo do México: liberdade aos militantes presos, destituição dos generais que comandavam a polícia e o exército e revogação do artigo 145 do Código Penal, que tipificava o delito de opinião. “Os mexicanos não propunham uma mudança violenta e revolucionária da sociedade. O movimento foi reformista e democrático”, analisa Octavio Paz.
A partir daí, o que era somente um movimento de estudantes passa a ganhar corpo e contar com a adesão de todas as classes. Enquanto a expansão acontecia, o governo se calava. Um mês após o início das manifestações, no dia 27 de agosto, o país já era palco de um movimento que arrastava pelas ruas 400 mil pessoas. Trabalhadores, estudantes, camponeses e famílias carregavam faixas com frases como: “Nosso desejo, nossas armas”, pedindo o diálogo entre o povo e o governo. “O eixo do movimento e o segredo do seu poder instantâneo de sedução sobre a consciência popular foi a palavra democratização”, pondera Octavio Paz.
A repressão se intensificou no dia 18, quando o governo autoriza a ocupação do Exército no campus da Unam. Estudantes são presos e espancados e uma série de choques entre as forças militares e os manifestantes nas ruas da Cidade do México acontecem. “Os moradores da zona garantiram a logística, oferecendo munição em forma de pratos, garrafas e água fervente; atirando contra as tropas todos os tipos de projéteis”, detalha o professor João Roberto Martins Filho, da PUC-São Carlos. A situação é de um campo de guerra e ao meio-dia do dia 22 de setembro, o governo retira as tropas de Tlatelolco, mas não de outros bairros, onde se especula que haja corpos de estudantes em porões dos prédios.

Olímpia Era dia 30 de setembro, o Exército já havia abandonado o campus da Unam. O Conselho Nacional de Greve (CNG) queria aproveitar a presença da imprensa internacional, que começava a chegar no México devido à proximidade dos Jogos, e denunciar a situação de seu país. “Naquela altura e com as Olimpíadas para começar, o governo parecia cada vez mais impotente diante da ‘hemorragia de autoridade’ aberta pelo movimento”, afirma Martins Filho. Uma reunião foi convocada para o dia 2 de outubro, na praça de Tlatelolco, e ali seria o cenário do massacre. “São uns 6 mil mais ou menos”, narra o jornalista brasileiro Antonio Euclides para a revista Veja, que se desespera logo em seguida. “Às 6 horas e 15 minutos ainda há gente chegando à Praça, quando de um lado dos helicópteros [que sobrevoavam a reunião] aparecem luzes verdes. É o sinal para o ataque.”
Quem prossegue contando os tristes fatos são os jornalistas mexicanos Julio Scherer e Carlos Monsiváis, no livro Los Patriotas – de Tlatelolco a la guerra súcia. “Durante 45 minutos, posicionados nas janelas dos prédios ao redor da praça, atiradores de elite apoiados por tropas federais na praça dispararam contra a multidão, que corria atarantada e encontrava fechadas todas as saídas do lugar.”
David Veja, então estudante, discursava do terceiro andar de um prédio, no exato momento do ataque. “De dentro do edifício a confusão era generalizada, a água jogada pelos policiais se misturava à forte chuva que começava a cair sobre nós e inúmeras poças de sangue, que se encontrava por onde se passava”, narra em seu livro Una Vida de Politécnico.
Gilberto Guevara Niebla, também estudante, em suas memórias conta que não foi atingido pelas balas como muitos, mas foi espancado nos porões de um dos edifícios que rodeia a praça e em seguida colocado em caminhões, junto a outros presos, e levado ao Campo Militar. “A polícia procurava tirar informações sobre armas e munições, que o movimento supostamente escondia. Fui torturado, levei um coronhada no peito, que provocou uma fratura. Depois, passei por um fuzilamento simulado”, nos conta Niebla, que quando solto em 1974 fundou a Organização Revolucionaria Punto Crítico. No México, os primeiros números falavam em quatro mortos. O jornal inglês The Guardian apurou os fatos e denunciou: 325 mortos e milhares de feridos. Mas, na realidade, até hoje a quantidade de mortos e feridos é pouco confiável. A Comissão de Familiares atualmente sustenta que entre 300 e 500 pessoas morreram naquela tarde. Muitos procuram até hoje os corpos de seus familiares. Faltavam dez dias para o início das Olimpíadas e o batalhão especial, mobilizado para “dispersar” a manifestação era o temido Batalhão Olímpia (ver quadro). Investigações
Em 1969, o presidente Gustavo Díaz Ordaz Bolaños assumiu, perante o plenário do Congresso, a condição de único e total responsável pela medida drástica e extrema de reprimir a manifestação, fundamentalmente para “conter o avanço das hordas vermelhas”. Aplaudido, deu o tom do que ainda se mantém como versão oficial. “Os estudantes, que estavam armados iniciaram os tiroteios”. O então ministro do Interior no México, e depois presidente do país, Luis Echeverría, negou qualquer participação no ato. Em outubro de 1997 foi criada uma comissão especial para investigar o massacre.“Os que têm as mãos ensangüentadas podem ficar tranqüilos. Não estamos pedindo suas cabeças”, anunciava o deputado Pablo Gómez Alvarez , membro da comissão que investigava Tlatelolco e complementava. “Simplesmente o que pedimos é que não percamos a memória e que saibamos a verdade.” Alvarez estava presente no dia 2 de outubro no massacre de Tlatelolco. Na ocasião, foi preso e somente deixou o cárcere em 1971.
Com a criação da lei federal de Transparência, em outubro de 2003, o acesso aos documentos oficiais, guardados no Arquivo Geral da Nação, se tornou público, o que possibilitando, até certo ponto, reconstituir os fatos. Em dezembro de 2005, a comissão completou suas investigações entregando documentos que provavam torturas, seqüestros e assassinatos sob alegação de combater “atividades subversivas” entre os anos de 1962 e 1982. “A atitude autoritária que o Estado mexicano tomou para controlar a oposição criou uma espiral de violência que levou a se cometerem crimes contra a humanidade, incluindo o genocídio” informava o relatório da comissão. Porém, nenhuma das conclusões da comissão se reverteu em julgamentos ou prisões dos responsáveis pelo massacre de Tlalelolco ou de outras arbitrariedades do governo mexicano.
Em junho de 2006, Luís Echeverría foi condenado por genocídio. Devido à sua idade avançada – tinha 84 anos – cumpriu prisão domiciliar. Menos de um mês depois, seus delitos foram anulados, após sentença do juiz José Guadalupe Luna Altamirano, do Terceiro Tribunal Unitário Penal. O juiz afirmou que nenhuma das provas apresentadas mostra que Echeverría havia participado da “preparação, concepção e consecução de genocídio”. Em agosto de 2007, a promotoria mexicana entrou com um recurso de revisão contra a resolução do tribunal. O processo atualmente tramita sem alterações.
Em outubro de 2007, ao completar 39 anos do massacre, a frente de deputados e senadores ligados à esquerda mexicana lembrou o fato como um dos eventos mais dolorosos da história moderna do país. Javier González Garza, deputado pelo PAN, cobrou justiça e afirma estar envergonhado por todos os governos mexicanos desde então que apoiaram a impunidade. Na ocasião, os parlamentares ligados ao PRI e ao PVEM afirmaram serem contra o “linchamento histórico” e pediram para “superar a história”. Quem responde ao apelo é Carlos Monsiváis: “Não se preserva a ordem potenciando a impunidade, não se constrói uma sociedade mutilando a memória histórica, não se transcendem os crimes do passado remetendo ao esquecimento os nomes e as trajetórias dos criminosos, ainda à espera da sentença justa”, vaticina sobre Tlatelolco, que também poderia ser sobre qualquer outro fato histórico ao qual a América Latina sucumbiu por estes anos.

As sombras de Tlatelolco

Em 2005 , o jornal La Jornada e o canal Seis de Julio produziram o documentário Tlatelolco – Las claves de la massacre, onde reuniram todo o material cinematográfico sobre o 2 de outubro de 1968, depoimento de sobreviventes, investigações sobre as forças repressoras e o envolvimento da CIA (Agência Central de Inteligência) no massacre. O documentário também está disponível no site da Fórum (www.revistaforum.com.br/especial68). O documentário revela detalhes, como o sinal que identificava o batalhão “paramilitar” chamado de Olímpia, uma luva branca na mão esquerda. Olímpia abrigava cerca de 600 membros, formados nas escolas militares do México, que atuaram durante vários anos na repressão aos movimentos organizados no México, sob a égide do governo.

Brunna Rosa, Revista Fórum

dulce abismo


Amada,
supón que me voy lejos
tan lejos que olvidaré mi nombre.

Amada,
quizás soy otro hombre
más alto y menos viejo
que espera por si mismo
allá lejos, allá trepando el dulce abismo.

Amada,
supón que no hay remedio,
remedio es todo lo que intento.

Amada,
toma este pensamiento
colócalo en el centro de todo el egoísmo
y ve que no hay ausencia para el dulce abismo.

Amada,
supón que en el olvido
la noche me deja prisionero

Amada,
habrá un lucero nuevo
que no estará vencido
de luz y de optimismo
y habrá un sinfín
latente bajo el dulce abismo.

Amada,
la claridad me cerca.
Yo parto, tu guardarás el huerto.

Amada,
regresaré despierto
otra mañana terca de música y lirismo,
regresaré del sol que alumbra el dulce abismo.



(silvio Rodríguez – cuba)

confesión

Aunque no sé historia, o muy poca, yo soy el autor de esas páginas.

Todo me ha ocurrido a mí desde el principio.
Yo soy el protagonista,
la víctima, el culpable y el verdugo.

Soy el que mira y el que actúa.
Las edades en mí han descansado.
Los días han sido mi alimento.
Las ideas, mis alas,
mis puñales.

Por el hueco de mis manos ha pasado
el río de las armas.

Mis ojos son los hornos en que ha ardido
la creación entera.

Mi canto es el silencio.

Hombre, mujer, niño, anciano,
cada gesto mío tiembla en las estrellas
atravesando el tiempo irrepetible.

Yo soy. No busquen a otro,
no torturen a otro,
no amen a otro.

No tengo escapatoria.


Cintio Vitier, Cuba, 1921.

quiéreme

Me llamo Edgardo. Vivo en el piso 16 de un edificio de cuarenta años. Yo tengo cuarenta y cinco, es decir, tenía cinco años cuando construyeron estas paredes y el techo que hoy me abrigan. En el piso hay tres departamentos. El mío es el más pequeño. Vivo solo. No me he casado ni tengo hijos porque me aterran las ataduras. Trabajo en un centro nocturno al que acuden personas de clase media alta. Gerencio y sirvo los tragos cuando los mesoneros están muy cargados. Desde hace unos ocho años empezaron a venir mujeres solas. A tomarse un trago y a mirar. A veces alguna se liga con alguien. Otra vez alguno se desprende de alguien. Una noche una mujer me sedujo. Me dejé porque me gustan las mujeres y ésta había venido unas cuatro veces y solo se había dedicado a mirar y tomarse un vodkas sin intenciones extrañas. Se llama Soledad. Está casada. Tiene un buen auto, tres hijos pequeños y un marido solvente. Es arquitecta. Trabaja en un proyecto de rediseño de una empresa transnacional. Le pagan muy bien. Esa noche quiso beber vodka conmigo fuera del centro nocturno. Nos fuimos a mi departamento y ella me besó al entrar matando mi aliento. Me destrozó la camisa y tuvimos sexo para siempre. Se descubrió ella en un grito de paz. Le serví un vodka. Reclinada en un sofá me escrutaba hasta el cansancio que se veía en mis piernas desnudas. Me dijo de pronto: “lo haces muy bien”. Atolondrado, le pregunté: “¿Qué hago bien?”. El amor, me respondió. Hoy que ya sé todo de su vida y que soy su verdadero “marido” para los fines del sexo con amor y las charlas más hondas y bellas que me ha regalado sobre las cosas más nimias, comprendo que el amor está perdido en las manos. Soledad vive dos vidas –su esposo vive tres o cuatro- y sus hijos viven la sola vida de sus padres solos. Ella quiere vivir la vida con sus hijos pero la traición primera de su apellido “de” la devastó. La traición segunda, la anuló. La traición tercera, no le importó. No estaba viviendo y sus hijos comenzaron a vivir sin ella. Sin el alma de ella. “Edgardo, te quiero”. Dijo un día. No pude sostener un plato. Nunca me había dicho eso. No lo esperaba. Pero veo en sus ojos que me quiere. Han pasado por mi vida unas trece mujeres. Y siempre hubo una razón para olvidarlas. Soledad no vivía conmigo y estaba siempre. Llegaba cuando quería porque no impuse ninguna regla ni la ‘soportaba’ cuando caía a mi departamento 1603. Ella era un mural de tiempo que me enseñaba el amor desde su inmensidad de mujer y no de hembra. Un día la vi de lejos con su marido y sus hijos. Flotaban. Ella era la única que no flotaba. Caminaba firme. Confía que sus hijos sentirán su firmeza y será suficiente. Hoy, apenas se ha ido Soledad, el aire me confirma que no hay motivos para decirle adiós. Pero soy un hombre y quiero tener otra mujer. Así he vivido veinticinco años. No es cuestión de fidelidad o inestabilidad emocional. Es que me gustan las mujeres. Soledad sabe que durante estos dos años ella ha sido la única mujer que ha tocado mi cuerpo. Que ha sudado mi cuerpo. Que ha trajinado mi cuerpo. Y yo sé lo mismo. Soledad vuelve en la noche y me pide solo una cosa: quiéreme.


(carol murillo ruiz - ecuador)

mapa de carreteras


Si llegas desde el Norte, cercado de montañas,
encontrarás un bosque y un pueblo de cabañas,
al pie de una maraña de árboles ocres.


Si es desde el Sur que partes, verás un sol de arena
donde las dunas arden. De noche, las estrellas,
cual bóveda de huellas, podrán guiarte.



No hay temor de que te pierdas.
Estudiando bien los mapas,
sé que existen, por lo menos,
cuatro formas de que vuelvas.


Si llegas desde el Oeste,
un mar limpio y sereno se prestará a mecerte.
El ruido de los juegos del agua contra el suelo,
el rayo verde

Si desde el Este partes,
las alas y los vuelos querrán acariciarte.
Verás un riachuelo,
y en el temblor del suelo podrás mirarte.


No hay temor de que te pierdas.
Estudiando bien los mapas,
sé que existen, por lo menos,
cuatro formas de que vuelvas.


(pedro guerra - españa)

ausência



Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.





(carlos drummond de andrade - brasil)

o mito

Sequer conheço Fulana,
vejo Fulana tão curto,
Fulana jamais me vê,
mas como eu amo Fulana.

Amarei mesmo Fulana?
Ou é ilusão de sexo?
Talvez a linha do busto,
da perna, talvez o ombro.

Amo Fulana tão forte,
amo Fulana tão doce,
que todo me despedaço
e choro, menino, choro.

Mas Fulana vai se rindo...
Vejam Fulana dançando.
No esporte, ela está sozinha.
No bar, quão acompanhada.

E Fulana diz mistérios,
diz marxismo, rimmel, gás.
Fulana me bombardeia,
no entanto sequer me vê.

E sequer nos compreendemos.
É dama de alta fidúcia,
tem latifúndios, iates,
sustenta cinco mil pobres.

Menos eu... que de orgulhoso
me basto pensando nela.
Pensando com unha, plasma,
fúria, gilete, desânimo.

Amor tão disparatado,
Desbaratado é que é...
Nunca a sentei no meu colo
nem vi pela fechadura.

Mas eu sei quanto me custa
manter esse gelo digno,
essa indiferença gaia
e não gritar: Vem, Fulana!

Como deixar de invadir
sua casa de mil fechos
e sua veste arrancando
mostrá-la depois ao povo

tal como é ou deve ser:
branca, intacta, neutra, rara,
feita de pedra translúcida,
de ausência e ruivos ornatos.

Mas como será Fulana,
digamos, no seu banheiro?
Só de pensar em seu corpo
o meu se punge... Pois sim.

Porque preciso do corpo
para mendigar Fulana,
rogar-lhe que pise em mim.
Que me maltrate... Assim não.

Mas Fulana será gente?
Estará somente em ópera?
Será figura de livro?
Será bicho? Saberei?

Não saberei? Só pegando,
pedindo: Dona, desculpe...
o seu vestido esconde algo?
tem coxas reais? cintura?

Fulana às vezes existe
demais; até me apavora.
Vou sozinho pela rua,
eis que Fulana me roça.

Olho: não tem mais Fulana.
Povo se rindo de mim.
(Na curva do seu sapato
o calcanhar rosa e puro.)

E eu insonte, pervagando,
em ruas de peixe e lágrima.
Aos operários: A vistes?
Não, dizem os operários.

Aos boiadeiros: A vistes?
Dizem não os boiadeiros.
Acaso a vistes, doutores?
Mas eles respondem: Não.

Pois é possível? Pergunto
aos jornais: todos calados.
Não sabemos se Fulana
Passou. De nada sabemos.

E são onze horas da noite,
são onze rodas de chope,
onze vezes dei a volta
de minha sede: e Fulana

talvez dance no cassino
ou, e será mais provável,
talvez beije no Leblon,
talvez se banhe na Cólquida;

talvez se pinte no espelho
do táxi; talvez aplauda
certa peça miserável
num teatro barroco e louco;

talvez cruze a perna e beba,
talvez corte figurinhas,
talvez fume de piteira,
talvez ria, talvez minta.

Esse insuportável riso
de Fulana de mil dentes
(anúncio de dentrifrício)
é faca me escavacando.

Me ponho a correr na praia.
Venha o mar! Venham, cações!
Que o farol me denuncie!
Que a fortaleza me ataque!

Quero morrer sufocado,
quero das mortes a hedionda,
quero voltar repelido
pela salsugem do largo,

já sem cabeça e sem perna,
à porta do apartamento,
para feder: de propósito,
somente para Fulana.

E Fulana apelará
Para os frascos de perfume.
Abre-os todos: mas de todos
eu salto, e ofendo, e sujo.

E Fulana correrá
(nem se cobriu: vai chispando),
talvez se atire lá do alto.
Seu grito é: socorro! e deus.

Mas não quero nada disso.
Para que chatear Fulana?
Pancada na sua nuca
na minha é que vai doer.

E daí não sou criança.
Fulana estuda meu rosto.
Coitado: de raça branca.
Tadinho: tinha gravata.

Já morto, me quererá?
Esconjuro se é necrófila...
Fulana é vida, ama as flores,
as artérias e as debêntures.

Sei que jamais me perdoara
matar-me para servi-la.
Fulana quer homens fortes,
couraçados, invasores.

Fulana é toda dinâmica,
tem um motor na barriga.
Suas unhas são elétricas,
seus beijos refrigerados,

desinfetados, gravados
em máquina multilite.
Fulana, como é sadia!
Os enfermos somos nós.

Sou eu o poeta precário
que fez de Fulana um mito,
nutrindo-me de Petrarca,
Ronsard, Camões e Capim;

Que a sei embebida em leite,
carne, tomate, ginástica,
e lhe colo metafísicas,
enigmas, causas primeiras.

Mas, se tentasse construir
outra Fulana que não
essa de burguês sorriso
e de tão burro esplendor?

Mudo-lhe o nome: recorto-lhe
um traje de transparência;
já perde a carência humana;
e bato-a; de tirar sangue.

E lhe dou todas as faces
de meu sonho que especula;
e abolimos a cidade
já sem peso e nitidez.

E vadeamos a ciência,
mar de hipóteses. A lua
fica sendo nosso esquema
de um território mais justo.

E colocamos os dados
De um mundo sem classe e imposto;
e nesse mundo instalamos
os nossos irmãos vingados

E nessa fase gloriosa,
De contradições extintas,
Eu e Fulana, abrasados,
queremos... que mais queremos?

E digo a Fulana: Amiga,
afinal nos compreendemos.
Já não sofro, já não brilhas,
Mas somos a mesma coisa.

(Uma coisa tão diversa
da que pensava que fôssemos.)



(carlos drummond de andrade - brasil)

estados de ánimo



unas veces me siento
como pobre colina,
y otras como montaña
de cumbres repetidas,
unas veces me siento
como un acantilado,
y en otras como un cielo azul
pero lejano, a veces uno es
manantial entre rocas,
y otras veces un árbol
con las últimas hojas,

pero hoy me siento
apenas como laguna insomne,
con un embarcadero
ya sin embarcaciones,
una laguna verde
inmóvil y paciente
conforme con sus algas
sus musgos y sus peces,
sereno en mi confianza
confiando en que una tarde,
te acerques y te mires...

te mires al mirarme.

(mario benedetti - uruguay)

la palabra que sana

Esperando que un mundo sea desenterrado por el lenguaje, alguien canta el lugar en que se forma el silencio. Luego comprobará que no porque se muestre furioso existe el mar, ni tampoco el mundo. Por eso cada palabra dice lo que dice y además más y otra cosa.


(alejandra pizarnik - argentina)

fuga en lila






Habría que escribir sin para qué, sin para quién.
El cuerpo se acuerda de un amor

como encender la lámpara.
El silencio es tentación y promesa.





(alejandra pizarnik - argentina)

de volta pra casa



mudaram as estacoes
nada mudou
mas eu sei que alguma coisa aconteceu
tá tudo assim tao diferente...

se lembra quando a gente
chegou um dia a acreditar
que tudo era pra sempre
sem saber que pra sempre
sempre acaba...

mas nada vai conseguir mudar
o que ficou
quando penso em alguém só penso em você
e aí entao estamos bem

mesmo com tantos motivos
pra deixar tudo como está
nem desistir nem tentar
agora tanto faz

estamos indo de volta pra casa


(renato russo)

soledad




Soledad,
aquí están mis credenciales,
vengo llamando a tu puerta
desde hace un tiempo,
creo que pasaremos juntos temporales,
propongo que tú y yo nos vayamos conociendo.

Aquí estoy,
te traigo mis cicatrices,
palabras sobre papel pentagramado,
no te fijes mucho en lo que dicen,
me encontrarás en cada cosa que he callado.

Ya pasó
ya he dejado que se empañe
la ilusión de que vivir es indoloro.
Qué raro que seas tú
quien me acompañe, soledad,
a mí, que nunca supe bien
cómo estar solo.



(jorge drexler - uruguay)

no hay paz






No quiero paz, no hay paz,
quiero mi soledad.
Quiero mi corazón desnudo
para tirarlo a la calle,
quiero quedarme sordomudo.
Que nadie me visite,
que yo no mire a nadie,
que si hay alguien,
como yo, con asco,
que se lo trague.
Quiero mi soledad,
no quiero paz, no hay paz.




(jaime sabines - méxico)


A partir de este sábado, desde todos los rincones del mundo llegarán nuevamente poetas de todo el mundo a Medellín para clamar por la paz y la reconciliación. Y es que en su versión 18, el Festival Internacional de Poesía busca reiterar su terco, pero esperanzador clamor por la paz en Colombia.

Así lo afirma su creador, el también poeta y gestor cultural Fernando Rendón, quien destaca el reconocimiento internacional que ha alcanzado el certamen y confía en que eso le dé fortaleza para propiciar el diálogo entre los antagonistas del conflicto.

"La poesía nos da la fuerza para resistir las desgracias y nos la dará también para transformar esta historia de sufrimiento en una historia nueva", afirma Rendón, quien ha visto crecer por casi dos décadas la poesía en Medellín, a tal punto que hace dos años el Festival ganó el Premio Nobel Alternativo de la Paz.

por um lindésimo de segundo



tudo em mim anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu


tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas




(paulo leminski - brasil)

espero curarme de ti




Espero curarme de ti en unos días. Debo dejar de fumarte, de beberte, de pensarte. Es posible. Siguiendo las prescripciones de la moral en turno. Me receto tiempo, abstinencia, soledad.
¿Te parece bien que te quiera nada más una semana? No es mucho, ni es poco, es bastante. En una semana se puede reunir todas las palabras de amor que se han pronunciado sobre la tierra y se les puede prender fuego. Te voy a calentar con esa hoguera del amor quemado. Y también el silencio. Porque las mejores palabras del amor están entre dos gentes que no se dicen nada.
(...)
Una semana más para reunir todo el amor del tiempo. Para dártelo. Para que hagas con él lo que quieras: guardarlo, acariciarlo, tirarlo a la basura. No sirve, es cierto. Sólo quiero una semana para entender las cosas. Porque esto es muy parecido a estar saliendo de un manicomio para entrar a un panteón.


(jaime sabines - méxico)

ya no

Ya no será
ya no
no viviremos juntos
no criaré a tu hijo
no coseré tu ropa
no te tendré de noche
no te besaré al irme.
Nunca sabrás quién fui
por qué me amaron otros.
No llegaré a saber por qué
ni cómo
nunca
ni si era verdad
lo que dijiste que era
ni quién fuiste
ni qué fui para ti
ni cómo hubiera sido
vivir juntos
querernos
esperarnos
estar.


Ya no soy más que yo
para siempre
y tú ya no serás para mí
más que tú.


Ya no estás
en un día futuro
no sabré dónde vives
con quién
ni si te acuerdas.

No me abrazarás nunca
como esa noche
nunca.

No volveré a tocarte.
No te veré morir.



(idea vilariño - uruguay)